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Adolescente também pode ter câncer de mama

Ao contrário do que o senso comum normalmente imagina, o câncer de mama na adolescência não é impossível. Em determinadas circunstâncias, a doença pode sim atacar adolescentes, ainda que com uma taxa de incidência baixa, em torno de 0,09% dos casos. “O câncer de mama não respeita idade nem sexo”, diz Dra. Lair Ribeiro, presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia. “Mas, na adolescência, os carcinomas freqüentes em mulheres mais velhas são raríssimos”.

Recentemente, a Sociedade Brasileira de Cancerologia detectou e coletou vários tipos de câncer de mama na infância e adolescência. Entretanto, na maior parte das vezes, essas patologias malignas eram de origem secundária, como rabdomiossarcoma e linfomas. Mesmo assim, três casos de carcinoma ductal infiltrante em adolescentes chegaram a ser registrados.

Dr. Cláudio Kemp, professor do departamento de ginecologia da Escola Paulista de Medicina (Unifesp), conta que, anos atrás, acompanhou o caso de uma paciente de 15 anos com um carcinoma secretório da mama. O carcinoma secretório é um subtipo de tumor lobular, diferente do que geralmente acomete a mulher adulta. É um câncer raro, que ocorre principalmente entre 14 e 16 anos. A paciente tinha um nódulo palpável que, após ser retirado e analisado, evidenciou o surgimento do câncer. Após a cirurgia, foi feita uma revisão do estudo anatomopatológico e a ampliação do exame de mama, para ter certeza que as margens cirúrgicas estavam livres do tumor e saber se havia infiltrações nos gânglios linfáticos. A jovem submeteu-se também ao tratamento com radioterapia. Dr. Kemp acompanhou a paciente durante aproximadamente cinco anos após o diagnóstico, período em que não houve nenhuma reincidência. “Ela ficou bem e faz uns dois anos que não a vejo”, conta.
Estratégias de detecção

Os carcinomas de mama que incidem em faixas etárias mais jovens ocorrem em portadoras de mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2, associadas a um risco de desenvolver câncer de mama (em qualquer fase da vida) que varia de 71 a 85%. O câncer de mama que acomete adolescentes e está relacionado às mutações no BRCA1 e no BRCA2 é mais agressivo. Além das alterações cromossômicas, os fatores de risco para as pacientes jovens são, principalmente, a mãe ter câncer de mama antes dos 50 anos ou ter câncer de mama bilateral.

Ao contrário do que ocorre com mulheres maiores de 40 anos, não se pede que as adolescentes façam auto-exame e mamografia sistemática, pois o câncer é muito raro nessa faixa etária. No entanto, quando se sabe algo sobre a existência de mutações genéticas em uma jovem ou ela tem antecedente familiar da doença, é recomendável que faça o auto-exame ou, no máximo, um exame de ultra-som. Porém, se ao palpar as mamas for localizado um nódulo, a mamografia deve ser realizada. Segundo dr. Kemp, nesses casos o objetivo maior do auto-exame mamário é conhecer melhor a mama, principalmente as variações ocorridas no período menstrual, como dor e edema. “Ao fazer o auto-exame, a adolescente passa a conhecer as características da mama, e caso apareça alguma diferença, sabe que aquilo não é normal”.

O profissional deve ter muito cuidado ao realizar um exame clínico numa jovem, pois caso exista massa com crescimento rápido, mesmo que não seja um carcinoma, pode ser um sarcoma. Segundo Kemp, o tumor de mama na adolescência que talvez possa aparecer mais seja o da linhagem do sarcoma. O sarcoma filodes é um tipo de linhagem celular que acomete o tecido conjuntivo, que cresce rapidamente e em geral tem volume acima de 5 cm. “A adolescente consegue perceber esse processo de crescimento”, diz dr. Kemp. O sarcoma filodes surge com maior freqüência entre 40 e 50 anos, mas pode ocorrer também na adolescência. Como o tumor tem uma característica macroscópica em ‘folhas’, em geral, a conduta terapêutica é cirúrgica, com a retirada do nódulo maligno e de uma área de tecido normal circundante para garantir uma margem de segurança. O sarcoma de mama costuma não apresentar metástases, mas frequentemente acaba recidivando no local. E quando acontece metástase, ela não ocorre por via linfática, e sim pela corrente sangüinia.

O bom prognóstico de um sarcoma de filodes em uma adolescente vai depender da conduta cirúrgica com margem de segurança. “Tivemos na Escola Paulista de Medicina o caso de uma paciente de 17 anos com um tumor filodes. A menina fez a cirurgia, e dois anos depois voltou para retirar outro nódulo”, conta dr. Kemp. Quando a garota retornou novamente, aos 21 anos, o tumor recidivado já tinha cerca de 10 cm, e então foi preciso fazer mastectomia.

Dr. Kemp recorda outro caso na EPM, uma paciente de 19 anos portadora de um angiossarcoma. A garota precisou ser submetida a uma mastectomia, pois quando chegou ao hospital o volume do tumor era muito grande, entre 11 e 12 cm. O médico assinala que, na faixa de 18 e 19 anos, o principal cuidado em relação a essa linhagem de sarcoma é fazer primeiramente o diagnóstico precoce e, em seguida, fazer uma cirurgia com margem de segurança, para que o tumor não recidive localmente. A linhagem do sarcoma ocorre em torno de 18 anos e o carcinoma, tumor raro da linhagem epitelial, entre 14 e 16 anos.
Atenção por parte dos profissionais

Segundo Kemp, mesmo para especialistas, a baixa freqüência dos tumores de mama na adolescência constitui um entrave, pois quase sempre será preciso fazer um levantamento da literatura médica para saber como tratá-los. “Foi exatamente o que aconteceu comigo no caso do carcinoma secretório. Fizemos um levantamento em conjunto com equipe da anatomia patológica para saber como tratar”, diz. Segundo ele, a literatura conta relatos de casos e diz como foram tratados, mas não oferece uma conduta de tratamento.

Outro problema em relação ao tumor de mama na adolescente é o fato de o ginecologista não acreditar que o câncer pode ocorrer nessa faixa etária e deixar de fazer o diagnóstico precoce. “O nódulo benigno mais freqüente em adolescentes é o fribroadenoma, e é muito simples de examinar. Ele parece com uma ponta de nariz, é liso e com boa delimitação, ou seja, com o exame clínico já se faz o diagnóstico”, diz Kemp. No entanto, se o tumor observado fugir desse padrão, é bom ficar atento, principalmente se o aspecto da massa crescer muito rápido em seis meses. “É preciso pensar que pode ser um tipo de tumor maligno”, afirma o médico. Em relação ao sarcoma da mama, o exame clínico é o ponto de partida, e a partir daí deve-se fazer uma pesquisa através da pulsão aspirativa de agulha fina ou um tipo de biópsia com agulha grossa para a retirada de fragmentos. Com o diagnóstico histológico do tumor conhecido, promove-se a cirurgia.

“Anos atrás, ginecologistas e obstetras só se preocupavam com o binômio criança – mãe, mas hoje as coisas melhoraram bastante”, observa dra. Lair Ribeiro. Muitas alterações da glândula mamária são encontradas nas adolescentes, assim como anomalias, lesões inflamatórias e traumáticas e tumores benignos. Assim, a atenção ao câncer de mama –seja do tipo sarcoma ou carcinoma– , deve estar sempre presente na investigação dos ginecologistas e mastologistas que atendem adolescentes.

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