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Causa de adenomegalia deve ser esclarecida

A adenomegalia é uma das alterações mais comuns na infância que, muitas vezes, cabe ao pediatra avaliar e tomar a conduta mais adequada para confirmar ou excluir uma patologia como câncer, tuberculose ou HIV. Trata-se de um aumento dos linfonodos que pode surgir ao longo da cadeia linfática existente no organismo. Normalmente, a adenomegalia é uma reação a processos inflamatórios de doenças benignas, como amigdalite, que são freqüentes em crianças, regredindo espontaneamente. Porém, a causa do aumento do gânglio linfático deve ser sempre muito bem investigada. “Se o médico que avalia a criança tem dúvidas, é melhor que ele a encaminhe a um centro especializado, que vai confirmar ou afastar a hipótese de um tumor maligno”, afirma dra. Eliana Caran, oncologista pediátrica do Instituto de Oncologia Pediátrica, de São Paulo.

O diagnóstico da adenomegalia é feito pela história do paciente, tempo de aparecimento do lifonodo, por alguns sintomas associados como febre, perda de peso, sangramento, hepatoesplenomegalia (aumento do fígado e baço) e exames laboratoriais. “Se a criança estiver em vigência de uma amigdalite, a adenomegalia pode ser justificável”, explica dra. Viviane Sonaglio, oncologista pediátrica, que já realizou um trabalho estatístico para a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (Sobope), para conhecer qual a freqüência das crianças que chegavam ao Hospital do Câncer em São Paulo com adenomegalia e eram diagnosticadas com leucemias, linfomas e outras doenças malignas. “Analisei o prontuário de um período de 10 anos, e o que realmente vimos é que a grande maioria das crianças tinha adenomegalia causada por patologia infecciosa e inflamatória, sendo a minoria por neoplasia”, explica dra. Viviane. Pelo resultado, constatou-se que o câncer de maior prevalência com gânglio aumentado foi o linfoma, seguido de leucemia e, por último, os tumores sólidos, numa proporção bem menor. O que se comprovou estatisticamente pelo trabalho da Sobope não deve, entretanto, reduzir a atenção do médico quando recebe um paciente com gânglios linfáticos aumentados.

Áreas de risco

Segundo dra. Eliana, os linfonodos que exigem mais atenção são os generalizados, quando há uma adenomegalia em várias cadeias, na região axilar, cervical e inguinal. “Quando é um gânglio isolado, é importante saber sua localização, pois geralmente o linfonodo nas regiões supraclavicular e cervical inferior são de alto risco para uma patologia mais grave, devendo passar por uma biópsia”. Além disso, quando o linfonodo é endurecido e aderente a planos profundos do organismo, e não há sinais de infecção, ele tem de ser avaliado cuidadosamente. “Geralmente, o linfonodo que não regride entre quatro e seis semanas tem a indicação de biópsia”, afirma Eliana. De acordo com a médica, os linfonodos que se encontram localizados em regiões de alto risco, 75% deles são causados por patologias graves, não apenas o câncer.

“Quando são cadeias cervicais altas, occipital ou pré-auricular, ficamos um pouco mais tranqüilos, pois pode ser apenas uma otite ou infecção de vias aéreas, comuns na infância”, confirma dra. Viviane. Segundo ela, toda vez que houver um gânglio aumentado em região não usual, como a abdominal ou mediastinal, é necessário uma investigação minuciosa. Ela considera também que se pelo exame laboratorial for descoberta uma leucocitose, deve-se partir para uma investigação mais séria. “É lógico que isso tem de estar associado a história clínica da criança”, diz.

Os tumores malignos que costumam cursar com a adenomegalia são leucemia e linfomas, mas existem ainda alguns tumores sólidos que podem dar metástase para os linfonodos como os sarcomas, neuroblastoma e carcinoma de rinofarige. Geralmente, a primeira manifestação desses tumores é a metástase para linfonodos. No caso de linfoma, os gânglios são maiores e têm um crescimento mais lento. “No linfoma de Hodking, o que geralmente chama a atenção é o gânglio aumentado”, diz dra. Viviane. Segundo ela, no Hospital do Câncer, em caso de suspeita quanto à causa do gânglio, opta-se pela retirada cirúrgica e envio para a análise patológica. A médica explica que é feita a retirada do gânglio em vez da punção aspirativa com agulha fina para biópsia, pois com esse procedimento pode-se colher material de uma área normal do linfonodo, e não se confirmar rapidamente a presença do câncer.

Dra. Eliana recorda de uma adolescente encaminhada ao IOP com uma adenomegalia que já durava seis meses e, mesmo sendo tratada com antibiótico, não regredia. O gânglio se encontrava na região cervical baixa, endurecido e sem sinais flogísticos (dor, calor, rubor e impotência funcional). Ao ser feito um raio X do tórax, constatou-se o alargamento do mediastino, que determinou que se fizesse a biópsia do linfonodo, e o resultado foi uma doença de Hodking. Só a partir desse diagnóstico, a garota foi finalmente submetida ao tratamento de câncer.

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