Embora seja uma doença rara, o neuroblastoma é o segundo maior tumor sólido extracraniano em crianças, principalmente nas menores de um ano. Sua localização mais freqüente é no abdome, mas pode surgir ao longo do sistema nervoso já que surge a partir das células nervosas simpáticas. O diagnóstico e tratamento desta patologia exigem do enfermeiro, conhecimento técnico científico para atuar no momento da realização dos exames diagnósticos e nas diferentes modalidades de tratamento, que consistem principalmente em cirurgia e quimioterapia. O objetivo deste trabalho foi identificar os diagnósticos de enfermagem mais freqüentes segundo a taxonomia NANDA, através de identificação de problemas e propor as intervenções de enfermagem.
Foi realizada uma revisão bibliográfica sobre a sua fisiopatologia, levantando as principais necessidades e problemas no momento do diagnóstico e do tratamento que envolvem a família e o paciente, sendo identificados 29 diagnósticos de enfermagem que foram classificados em dois grupos: paciente e família, chegando a 20 diagnósticos de enfermagem no primeiro grupo e 09 no segundo. Em seguida, para cada diagnóstico de enfermagem, e tendo como base suas características definidoras, acrescentamos as principais intervenções de enfermagem e os resultados esperados.
Através do levantamento bibliográfico, foram elaboradas duas tabelas principais, uma com o titulo de diagnósticos de enfermagem relacionados ao paciente em tratamento de neuroblastoma, sendo constituída por vinte diagnósticos de enfermagem, suas características definidoras, seus fatores relacionados e as intervenções de enfermagem necessárias. E a outra tabela com o título de diagnósticos de enfermagem relacionados à família do paciente em tratamento de neuroblastoma, sendo constituída por nove diagnósticos, suas características definidoras, seus fatores relacionados e as intervenções de enfermagem necessárias. Este material foi distribuído nas diferentes unidades de atendimento ao paciente e é utilizado pelos profissionais de enfermagem para auxiliar na assistência prestada, tendo como objetivo facilitar a Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE).
Este Protocolo de Atendimento de Enfermagem a portadores de Neuroblastoma, está sendo implantado no GRAACC IOP, após treinamento da equipe de enfermagem em parceria com a Educação Continuada da Instituição, sendo que a instituição já possui todas as fases da sistematização da assistência implantadas.
A Síndrome opsomioclonus (S. Kinsbourne) é um distúrbio neurológico raro, acometendo 1-2% dos pacientes com neuroblastoma e ganglioneuroblastoma, provavelmente mediada por um mecanismo auto-imune. Caracteriza-se por movimentos oculares opsoclônicos, mioclonia multifocal e ataxia, descrito tradicionalmente como ‘’olhos e pés dançantes’’. Em neuroblastoma, a presença da síndrome esta comumente associada com histologia favorável, não amplificação do oncogene N-Myc, excreção normal de catecolaminas urinárias e bom prognóstico.
R.C.S., 2 anos, feminino, branca, natural e procedente de São José dos Campos-SP. Criança com historia de movimentos incoordenados e grosseiros dos membros há 3 meses do diagnóstico, com prejuízo progressivo da deambulação. Inicialmente diagnosticada e acompanhada como cerebelite, evolui com interrupção da deambulação, dificuldade de sustentação cervical, movimentos oculares incoordenados, irritabilidade intensa e emagrecimento. Neste período foi investigada com tomografia computadorizada de crânio (normal) e posteriormente tomografia de abdome, evidenciando lesão expansiva em topografia de adrenal direita, homogênea, sem calcificações. Foi submetida a ressecção cirúrgica completa do tumor, cujo anátomo-patológico e imunohistoquímico revelou tratarse de neuroblastoma pouco indiferenciado. O estadiamento final foi Estadio I (INSS), com tratamento cirúrgico exclusivo - Protocolo Neuro IX- 2000 (Itaci - HCFMUSP). A evolução pós cirúrgica não mostrou melhora do quadro neurológico, sendo indicada terapia imunossupressora dois meses após o procedimento, segundo protocolo do Hospital St. Jude que prevê uso de imunoglobulina humana, ciclofosfamida e prednisona por doze meses.
Observou-se melhora clínica importante após o segundo ciclo, caracterizada por retorno da deambulação com apoio, da sustentação cervical, ausência de movimentos oculares incoordenados e diminuição da irritabilidade. A paciente encontra-se atualmente após o quarto ciclo de terapia imunossupressora, permanecendo com evolução favorável dos sinais e sintomas já relatados, porém ainda com desenvolvimento neuro-psico-motor atrasado para idade.
O neuroblastoma associado a S. opsomioclonus tem prognóstico muito favorável. Entretanto, o prognóstico da síndrome geralmente não acompanha o da patologia de base e a maioria das crianças apresenta múltiplas recidivas, inclusive tardias, e requer tratamento prolongado. Mesmo aquelas com boa resposta à terapia, poderão apresentar alteração da função cognitiva e do aprendizado. O curto período de observação do caso relato aliado a raridade da síndrome, não nos permite concluir sobre a eficácia da terapêutica proposta e evolução do desenvolvimento neuro - cognitivo.
O neuroblastoma é a quarta neoplasia mais comum na infância e a primeira nos lactentes. Os autores relatam a incidência e as características clínicas do neuroblastoma no sul do Brasil. O objetivo deste estudo foi avaliar a idade ao diagnóstico, estadiamento, amplificação do MYCN e histopatologia do tumor relacionados à sobrevida dos pacientes.
Foram incluídos para a análise todos os pacientes com neuroblastoma com idade igual ou inferior a 15 anos de idade (n=125) dos três maiores hospitais de Oncologia Pediátrica do estado do Paraná num período de 11 anos (entre janeiro de 1990 a dezembro de 2000). Todos os pacientes tiveram um seguimento de 5 anos após o término do tratamento. A amplificação do MYCN foi avaliada pelo método de FISH em 34 pacientes.
A sobrevida global dos pacientes nos estádios 1,2,3 e 4 foi de 100%, 72%, 59% e 17% respectivamente. Sessenta e dois por cento (77/125) de todos os pacientes apresentaram idade superior a 2 anos de idade e estes representaram 71% (57/80) dos pacientes que se encontravam no estádio 4 da doença. As crianças que apresentaram histologia desfavorável tiveram pior prognóstico (20% de sobrevida) em relação as que tiveram histologia favorável (67% de sobrevida). A amplificação do MYCN foi encontrada com maior freqüência nos pacientes com estádio 3 e 4 (13/16).
Este estudo demonstrou que o diagnóstico é tardio em crianças com neuroblastoma no sul do Brasil e, como conseqüência, a sobrevida foi consideravelmente baixa nestes pacientes.
Neuroblastoma(NB) é a mais comum neoplasia sólida extra craniana, correspondendo de 8-10% dos tumores na infância e 95% dos casos ocorrem em crianças abaixo dos 10 anos. Este caso relata o acometimento raro na adolescência e faz uma revisão da literatura.
F.N, 14 anos, branco, masculino, natural de Pelotas–RS, apresentando em Janeiro/06 dor cervical e lombar irradiada para pernas com perda de 5kg. Realizou RNM (Fev/06) infiltração lombar e alterações difusas das vértebras lombares. Após biópsia de linfonodo cervical com diagnóstico de NB foi transferido para HCSA em Abril/06. Exames: cintilografia óssea - processo ósseo multifocal secundário; cintilografia com MIBG - captação em úmeros; costelas (rx focado destes locais-negativos); tc tx; crânio e abdômen- negativos; VMA-2000; BMO-infiltração por NB. Iniciou quimioterapia (cisplatina, vp16, ciclofosfamida, doxorrubicina) em mai/06.
NB é a malignidade mais freqüente no primeiro ano de vida com incidência em declínio ate a adolescência, com 3% dos diagnósticos. Biologicamente fascinantes, pois ao mesmo tempo em que são os melhores exemplos de regressão espontânea no primeiro ano de vida, estão em sua forma mais comum de apresentação entre os tipos de neoplasia com menor potencial de cura. Nenhuma diferença entre as faixas etárias foi documentada em relação ao sítio primário tumoral e não houve prevalência quanto ao estagio avançado da doença no momento do diagnóstico. A diferença encontrada foi que os adolescentes tiveram doença metastática mais freqüente em sítios não usuais como pulmão e SNC (23% versus 7%) e a ampliação do NMYC e elevação das catecolaminas séricas e o envolvimento medula óssea foi inferior nos adolescentes e alguns autores relacionam a isso, um curso mais indolente da doença. O NB estádio IV em adolescentes carrega um pior prognóstico quando comparados com crianças abaixo de cinco anos, embora as diferenças não sejam significativas.
Pacientes com NB tem tido resultados variáveis de acordo com a idade e estadiamento da doença ao diagnóstico. Nenhuma diferença foi relatada entre crianças e adolescentes sobre a apresentação clinica, esquema de tratamento ou tolerância à quimioterapia. O relato se enquadra dentre as apresentações raras de NB, o que ressalta a importância do diagnóstico diferencial, em concordância com a literatura quanto ao estagio IV no momento do diagnóstico, porém em discordância quanto ao sítio primário mais comum do NB. Não existe ate o momento tratamento específico para adolescentes, e não está claro se prolongando ou intensificando os cursos de quimioterapia teremos marcada diferença nos resultados.
Os neuroblastomas (NB) constituem-se em um dos tumores sólidos extracranianos mais comuns da infância. Estudos citogenéticos e moleculares tem revelado que a alteração mais comum é a deleção do braço curto distal do cromossomo 1, sendo a região 1p36 a mais freqüente. A perda de heterozigosidade (LOH) observada nos casos de NB, na região 1p36, pode apresentar um ou mais genes de supressão tumoral, que estejam envolvidos na gênese de NBs. A deleção da região 1p36 está associada a pior sobrevida dos pacientes.
O objetivo do presente trabalho foi avaliar o perfil genético para o gene polimórfico D1S80 (gene encontrado na região 1p36) em fragmentos de tumores e sangue periférico de portadores de NB, para verificar a LOH, bem como relacionar com a amplificação do gene N-myc para investigar a ligação com o prognóstico clínico dos pacientes.
Foram avaliados sete pacientes com NB atendidos no Centro de Oncohematologia Pediátrica do Hospital Universitário Oswaldo Cruz – Recife-PE de 2003 a 2006 com faixa etária de (1 ano 6 meses a 7 anos de idade), sendo 4 do sexo masculino e 3 do sexo feminino, todos em estadiamento IV. O marcador de número variável de repetições em tanden (VNTR) D1S80 que apresenta 25 alelos de alta herezigosidade, foi amplificado pela reação em cadeia da polimerase (PCR) e os perfis genéticos determinados após separação eletroforética em gel de agarose a 1%. A amplificação do gene N-myc foi realizada através de PCR duplex utilizando como controle interno o gene da fibrose cística.
Dos sete pacientes, dois apresentaram amplificação do gene N-myc e três apresentaram LOH para o gene D1S80. Os dois pacientes que apresentaram N-myc amplificado e que também tiveram LOH, foram os que apresentaram pior evolução clinica, indo a óbito. Os resultados preliminares sugerem que o estudo de LOH em genes da região 1p36, podem ser úteis na avaliação da deleção do braço curto do cromosssomo 1.
Estudar a amplificação do gene MYCN nos pacientes portadores de neuroblastoma, através da técnica de hibridização in situ por fluorescência (FISH) para avaliar o seu perfil molecular tumoral.
Foi feito estudo para a detecção do número de cópias do gene MYCN pela análise de hibridização in situ com fluorescência (FISH) em amostras derivadas de blocos de parafina e em amostras tumorais frescas, observadas em núcleos interfásicos. O FISH foi realizado utilizando sonda própria para o locus do gene MYCN (2p24). Neste estudo foram utilizadas duas fontes de sonda de MYCN: a primeira correspondente a sonda de MYCN, comercialmente disponível (marcação direta), e a segunda, correspondente a sonda de MYCN marcada com biotina (marcação indireta), processada a partir de fragmentos de DNA clonados em bactéria (BAC).
Foram estudados 16 pacientes, utilizando a técnica de FISH em blocos de parafina(n=13) e em amostras tumorais frescas obtidas por imprinting (n=4). A amplificação do gene MYCN foi definida pela presença sinais fluorescentes pontuais ou coalescentes com número de copias contadas > 10 em 100 células analisadas. A amplificação do gene foi positiva em 5 casos – dois casos em tumor fresco e 3 casos em tumor fixado em parafina, e negativa em 4 casos (1 caso em tumor fresco e 3 casos em tumor fixado em parafina). Foram observados resultados insatisfatórios (ausência de hibridização) em 7 casos (todos os casos eram de tumor fixado em parafina).
Foi possível realizar o estudo da amplificação do gene MYCN através da técnica de FISH, em parafina e em material fresco. A comparação dos resultados obtidos permite concluir que a técnica apresenta resultados mais definidos quando realizada em amostras tumorais frescas, especialmente através de imprinting. A utilização de preparações feitas a partir de blocos de parafina é influenciada por fatores como fixação do material e espessura do corte, os quais podem levar a uma taxa maior de insucesso na realização do FISH.
Esta constitui uma técnica rápida e simples, que permite uma avaliação de uma alteração cito-molecular bem definida que apresenta valor prognóstico, e possibilita tratamento mais adequado destes pacientes, de acordo com as características biológicas do tumor, garantindo um tratamento mais eficaz.
Uma das causas da manutenção das elevadas taxas de mortalidade no câncer infantil é a demora no diagnóstico e tratamento. Esta demora é um ponto significativo, já que os tumores infantis possuem curtos períodos de latência, altas taxas de proliferação e maior caráter invasivo. Contudo, o câncer infantil possui prognóstico e resposta ao tratamento melhores.
Este estudo é retrospectivo e utiliza como metodologia a Busca Ativa em prontuários. Foram analisados todos os 114 prontuários de pacientes com idade de 0 a 19 anos na época do diagnóstico, residentes nas cidades atendidas pelo Serviço de Oncolgia Pediátrica, no período de janeiro de 2000 a dezembro de 2005. Foram analisados 3 tempos: entre o surgimento dos sintomas e o contato com o médico; entre o contato com o médico e o encaminhamento a um oncologista; e entre o contato com o oncologista e o início do tratamento. Relacionaram-se as variáveis citadas com a idade, distância e tipos de tumores.
O menor intervalo de tempo entre o surgimento dos sintomas e o contato com o médico foi de menos de 1 mês, sendo observado em 25% das crianças com Tumor de Wilms (TW). O encaminhamento para o oncologista demorou menos de 1 mês para 62,5% dos pacientes com TW. O início do tratamento deu-se também em menos de 1 mês para 90% dos pacientes com Neuroblastoma, enquanto que no TW a demora foi de mais de 1 ano para 25% das crianças. A variável idade foi proporcional ao tempo para a procura de um médico, bem como para o encaminhamento ao oncologista. Assim, 15,7% das crianças de 1 a 4 anos demoraram menos de 1 mês, enquanto 14,8% dos pacientes com 10 a 14 anos levaram de 6 meses a 1 ano na procura de um médico. Em relação ao oncologista, 47,3% das crianças de 1 a 4 anos aguardaram um menor tempo (menos de 1 mês) e 26,3% dos adolescentes de 15 a 19 anos esperaram de 1 a 6 meses. O início do tratamento foi mais rápido para 84,2% dos pacientes com 15 a 19 anos e demora de mais de 1 ano foi observada em 11,1% dos pacientes de 10 a 14 anos. Em relação às distâncias de até 500Km, não se observou diferença significativa nos intervalos de tempo analisados. Acima de 500Km encontrou-se uma maior demora em relação à busca por um médico e o encaminhamento para um oncologista.
As crianças com TW têm um contato precoce com um primeiro médico, bem como um encaminhamento ao oncologista. Entretanto, esperam mais tempo para o tratamento. Em relação à idade, crianças mais velhas tiveram seu diagnóstico e tratamento postergado em relação a crianças mais novas. A distância parece não influenciar na demora do tempo de diagnóstico e tratamento, exceto distâncias acima de 500Km. Porém a amostra foi pequena para tal análise.
O neuroblastoma é um tumor derivado de células da crista neural que formarão os gânglios simpáticos e a medula da adrenal. Acomete ambos os sexos e 2/3 dos casos são em crianças menores de 5 anos. A maioria é primário da medular adrenal mas pode originar-se de qualquer sítio da cadeia simpática. A disseminação é linfática e hematogênica sendo os sítios de metástases mais comuns a medula óssea, osso, fígado e pele.
Foram analisados retrospectivamente 168 prontuários de pacientes com diagnóstico de neuroblastoma admitidos em nosso serviço no período de 01/01/91 à 31/12/05. Os casos foram estadiados de acordo com os critérios do INSS. Para os pacientes estádio 3 foi realizado imunohistoquímico adicional com os seguintes marcadores CD34, p53, PCNA, Ki-67, BCL2.
A idade dos pacientes variou de 1 mês a 26 anos, com mediana de 2,8 anos e 52% (87) eram do sexo masculino. O sítio primário mais freqüente foi o abdômen (63,1%), seguido pela região paravertebral (19%) e mediastinal (14,3%). A principal apresentação clínica foi a presença de massa abdominal que ocorreu em 59,5% dos casos. O segundo sinal em ocorrência foi a febre, verificada em 23,2% dos pacientes. Outros sinais e sintomas apresentados incluíam dor óssea (16,6%), emagrecimento (12,5%), dor abdominal (12,5%), alterações neurológicas (8,3%), adenomegalias (6,5%) e equimose (5,3%). Em relação ao estadiamento, observamos que a maioria dos casos eram estadio 4, correspondendo a 47,6% e que o estadio 3 foi responsável por 46 casos (27,4%). Os estadios 1 e 2 corresponderam a 18,4%. Somente 6% eram 4S. Dos 168 pacientes, somente 31 (18,6%), foram submetidos a pesquisa de amplificação do gene MYC N, e neste grupo a amplificação foi positiva em 45%.
Cerca de 75% dos casos de neuroblastoma atendidos em nossa instituição apresentavam-se ao diagnóstico com estadio 3 ou 4, caracterizando doença em fase avançada. Isto reforça a necessidade de diagnóstico mais precoce. A avaliação dos pacientes estadio 3 com os marcadores citados permitiu caracterizar molecularmente este grupo de pacientes para no futuro tentarmos traçar um paralelo entre estes achados e a evolução clínica.
Amplificação do gene MYCN tem sido descrita como um dos mais fortes fatores de prognóstico adverso em neuroblastomas. Defeitos em genes relacionados a apoptose parecem ser importantes para o desenvolvimento desta neoplasia. Neste estudo nos analisamos a interação e a significância prognóstica entre amplificação do MYCN e de genes relacionados ao processo de apoptose em neuroblastomas estadio III/IV.
Foram analisados DNA amostras de tumor congeladas obtidas de 16 crianças consecutivas admitidas para tratamento no HCFMR-USP, classificadas como estadios III/IV (excluindo IVS), segundo critérios do International Neuroblastoma Staging System (INSS), através da técnica de PCR quantitativa em tempo-real (RQ-PCR). Em 9 destes pacientes nos quais cDNA era disponível, foram analisados os perfis de expressão dos genes relacionados a apoptose CASP3, CASP8, CASP9 e FASL por RQ-PCR. Sobrevida global e sobrevida livre de doença foram calculadas por curvas de Kaplan-Meier e teste log-rank.
Seis pacientes (37,5%) não apresentaram amplificação do MYCN, 6 (37,5%) apresentaram baixos níveis de amplificação (entre 2-9) e 4 (25%) altos níveis (>10). As sobrevidas global e livre de doença em 2 anos foram respectivamente de 0,37 e 0,31. Pacientes sem amplificação do MYCN apresentaram uma SLD em 2 anos maior (0,57), quando comparados àqueles com amplificação (0,17) (p:0,07). SLD em 2 anos foi maior nos pacientes com baixos níveis de amplificação quando comparados aos de alto nível de amplificação (0,22 vs 0,00). Amplificação do MYCN (>2) esteve associada a uma mediana menor de nível de expressão de CASP8 (0,04 vs. 0,09) e maior em relação à mediana do nível de expressão de CASP3 (1,01 vs. 0,26). A sobrevida global foi menor nos pacientes com expressão CASP8 abaixo do valor da mediana (0,00 vs. 0,60) (p:0,06). Nenhuma diferença foi observada para os outros genes.
Nossos dados sugerem uma possível associação entre os níveis de amplificação do MYCN e os valores de expressão dos genes CASP8 e CASP3. Estes dados no entanto, devem ser vistos com cautela, devido ao número relativamente pequeno de pacientes analisados.
Autor: Ana Carolina Mamana Fernandes de Souza